sábado, 7 de setembro de 2013

Desabafos diurnos.

Não é mais uma sensação de vazio, de solidão. É a sensação de preenchimento, de aperto, de sufoco. Do que? Nem eu sei... Procuro tentar achar as respostas no relógio, no calendário, no Sol que se põe e acho na noite que a resposta virá no dia seguinte.

Minha mente tão cheia de acontecimentos passados que não me faz querer mais ver o futuro. Aliás, parece que não quero vê-lo chegar. Cada dia riscado do calendário significa que foi um dia a menos. Sim, isso é óbvio mas será que foi um dia a menos sem você? Ou um dia a menos de sofrimento? Essa é pergunta que tento todos os dias responder olhando pela janela.

Tento colocar a culpa no destino, afinal, isso é tão mais fácil. Na verdade, a auto-flagelação é mais fácil para mim. Mas nem isso resolveu, portanto, deixo nele o motivo pelo qual eu deposito a minha angústia. Tento ser auto-suficiente e dizer que o problema não foi o que eu fiz ou o que eu sou. Pensando bem... Qual foi o meu erro mesmo? Quando paro e me pergunto eu não consigo achar a resposta. Mas ela existe sim. O meu maior erro foi ter te amado demais, ter me doado demais, ter traçado uma trilha aonde só nós poderíamos percorrer.

Mas não tem problema, essa mesma trilha não foi desmanchada por mim e sim por você. Apenas cumpri, como em todas as vezes, os seus pedidos. Fiz o castelo ruir, a vida seguir, deixar o Sol se pôr sem você. A trilha se partiu em duas. Espero que pelo menos eu a tenha ajudado a deixar a sua um pouco menos tortuosa ou quem sabe, a minha se tornou a sua grande pedra. As trilhas seguem por caminhos destintos, não se preocupe meu amor, nesse caso, elas nunca poderão se encontrar. Você tem ferramentas o suficiente para prosseguir com ela. Use-as.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Não sei o que fazer comigo

Já aprendi a fingir meu sorriso, já fui sincero e já tive juízo
Já troquei de lugar minha cama, já fiz comédia, eu já fiz drama
Já ouvi cada voz que me chama, eu já fui bom e já tive má fama
Já fui ético, antipático, fui poético, fui fanático

Fui apático, fui metódico, sem vergonha, fui caótico
Eu já li paulo coelho, eu já escutei tudo que era conselho
Eu já preguei o evangelho, cheguei a achar que eu era velho
Já fiz tanta coisa que nem me lembro do que eu era contra ou fui a favor

O que me dava prazer, hoje só me dá dor
Nunca aprendi o que é o amor

E ouvi uma voz, que diz: "não há razão"
Você sempre mudando já, não muda mais
E já que estou cada vez mais igual
Não sei o que fazer comigo

Já chorei de tanta mágoa, já fiz tempestade em copo d'água
Já tentei a sorte na gringa, já aprendi que não tenho ginga
Eu já votei em tucano, já fui ovo lacto vegetariano
Insano, já fui santo e profano
Fiz na sua frente e por baixo dos pano

Já estudei teologia e não creio mais naquilo em que cria
Já sofri de claustrofobia, de teimosia e cleptomania
Já provei, já fumei, já tomei, já deixei, assinei, viajei, já peguei
Já sofri, já iludi, já fugi, já assumi, fui e voltei, afirmei e menti

E com toda essa falsidade, minhas mentiras já são verdades
Já tive de tudo o que queria, e já me contentei com mixaria

Já fui em cana, já tive grana, passei rasteira em muito bacana
Opinei e me equivoquei, nunca assumi pra ninguém que errei
Sem diploma, nem salário, já fui sócio majoritário
Já escrevi tanto nome no braço, eu já preenchi tudo que era espaço

Fui psicólogo, fui astrólogo, já fui leigo, fui enólogo
Fui alcoólatra, fui atleta, fui obeso e já fiz dieta
Já cuspi e mandei pro caralho, o lugar onde hoje eu trabalho
E agora eu só me distraio fazendo versão de rock uruguaio


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Transparência

Queria ser aquele material fosco, um vaso fosco. Aquele tipo de vaso que ele em suas mãos você só consegue observar as cores do outro lado e não suas formas, silhuetas e detalhes. Ser fosco é o mais ideal para os mortais. Você até sabe que existe algo dentro do vaso mas nunca poderá saber o quê de fato dentro dele.

Pois bem. Alguém então que me transforme em um vaso fosco. Este transparente, aonde todos conseguem ver e distinguir com nitidez o que tem dentro, está fazendo mal. Mas de tão velho e surrado, este vaso transparente está fazendo já o seu papel de transformação. Aos poucos ele estará por completo turvo. E aí, é a hora que vou querer o meu vaso transparente de volta.