Já aprendi a fingir meu sorriso, já fui sincero e já tive juízo
Já troquei de lugar minha cama, já fiz comédia, eu já fiz drama
Já ouvi cada voz que me chama, eu já fui bom e já tive má fama
Já fui ético, antipático, fui poético, fui fanático
Fui apático, fui metódico, sem vergonha, fui caótico
Eu já li paulo coelho, eu já escutei tudo que era conselho
Eu já preguei o evangelho, cheguei a achar que eu era velho
Já fiz tanta coisa que nem me lembro do que eu era contra ou fui a favor
O que me dava prazer, hoje só me dá dor
Nunca aprendi o que é o amor
E ouvi uma voz, que diz: "não há razão"
Você sempre mudando já, não muda mais
E já que estou cada vez mais igual
Não sei o que fazer comigo
Já chorei de tanta mágoa, já fiz tempestade em copo d'água
Já tentei a sorte na gringa, já aprendi que não tenho ginga
Eu já votei em tucano, já fui ovo lacto vegetariano
Insano, já fui santo e profano
Fiz na sua frente e por baixo dos pano
Já estudei teologia e não creio mais naquilo em que cria
Já sofri de claustrofobia, de teimosia e cleptomania
Já provei, já fumei, já tomei, já deixei, assinei, viajei, já peguei
Já sofri, já iludi, já fugi, já assumi, fui e voltei, afirmei e menti
E com toda essa falsidade, minhas mentiras já são verdades
Já tive de tudo o que queria, e já me contentei com mixaria
Já fui em cana, já tive grana, passei rasteira em muito bacana
Opinei e me equivoquei, nunca assumi pra ninguém que errei
Sem diploma, nem salário, já fui sócio majoritário
Já escrevi tanto nome no braço, eu já preenchi tudo que era espaço
Fui psicólogo, fui astrólogo, já fui leigo, fui enólogo
Fui alcoólatra, fui atleta, fui obeso e já fiz dieta
Já cuspi e mandei pro caralho, o lugar onde hoje eu trabalho
E agora eu só me distraio fazendo versão de rock uruguaio
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Transparência
Queria ser aquele material fosco, um vaso fosco. Aquele tipo de vaso que ele em suas mãos você só consegue observar as cores do outro lado e não suas formas, silhuetas e detalhes. Ser fosco é o mais ideal para os mortais. Você até sabe que existe algo dentro do vaso mas nunca poderá saber o quê de fato dentro dele.
Pois bem. Alguém então que me transforme em um vaso fosco. Este transparente, aonde todos conseguem ver e distinguir com nitidez o que tem dentro, está fazendo mal. Mas de tão velho e surrado, este vaso transparente está fazendo já o seu papel de transformação. Aos poucos ele estará por completo turvo. E aí, é a hora que vou querer o meu vaso transparente de volta.
Pois bem. Alguém então que me transforme em um vaso fosco. Este transparente, aonde todos conseguem ver e distinguir com nitidez o que tem dentro, está fazendo mal. Mas de tão velho e surrado, este vaso transparente está fazendo já o seu papel de transformação. Aos poucos ele estará por completo turvo. E aí, é a hora que vou querer o meu vaso transparente de volta.
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